PRÉVIA (n.t.) 20º

Nin-mul-an-gim |Senhora tingida como as estrelas celestes
(Hino a Nisaba)
Anônimo

O texto: Hino dedicado a Nisaba, deusa suméria da escrita e da colheita, considerada a padroeira dos escribas. Originalmente adorada como uma deusa dos grãos, era representada pelo símbolo de um único talo de grão. Depois, passou a ser venerada como a deusa da escrita, segurando um estilete de ouro e uma placa de argila com a imagem de um céu estrelado. A transição ocorreu à medida que a escrita se tornou mais importante para documentar o comércio de grãos, pois muitas tabuinhas terminam com a frase “Nisaba seja louvada” para homenageá-la. Na tabuinha aqui traduzida, ela carrega uma placa de lápis-lazúli, onde lê o futuro por meio de presságios celestiais, pois, sem ela, as colheitas não podiam ser calculadas. O fragmento descreve sua origem, nascida de Uras, a deusa do subterrâneo, e seus atributos, como possuir os sete juncos (pois o sete era um número místico para os sumérios e os juncos usados para escrever na argila) e ser dotada de cinquentas me´s, os poderes divinos. Conclamada a maior deusa de E-kur, templo dedicado ao deus do céu, Enlil, nomeia-se, ao final, a deusa da terra, Aruru, que domina sobre Kalam (Suméria), e do barro, uma referência às tabuinhas e à escrita. Na tradição médio-oriental, o hino é conhecido como Nin-mul-an-gim (Senhora tingida como as estrelas celestes), e na tradição ocidental, como “Hino a Nisaba” ou Nisaba A.
Texto traduzido: Thureau-Dangin, Fr. “Le déesse Nisaba”. In. Revue d’Assyriologie et d’Archéologie orientale, n. 7, 1909, pp. 107-111. Placa: Nin-mul-an-gim (Nisaba A). In. CDLI - Cuneiform Digital Library Initiative

O autor: De autoria desconhecida, o Hino a Nisaba pertence a um agrupamento conhecido como Tétrade, que compreende quatro hinos em sumério que eram usados como uma ponte entre o currículo elementar e a Década, uma sequência padrão usada para o treinamento dos escribas. Esta tradução apresenta a tabuinha que contém as nove primeiras linhas do hino, cunhadas em sumério, em uma placa de pedra datada do período de Ur III (c. 1900-1600 a.C.), encontrada na antiga cidade de Girsu. Atualmente, encontra-se no Museu Arqueológico de Istambul.

O tradutor: Gleiton Lentz, editor da (n.t.), é pós-doutor em Estudos da Tradução (PGET/UFSC), doutor em Literatura (UFSC/Università di Firenze), tradutor e revisor. Dedica-se ao estudo das escritas antigas e suas literaturas, incluindo a maia e a suméria. Para a (n.t.) traduziu En-hedu-Ana.



☞ ANÔNIMO. Nin-mul-an-gim | Senhora tingida como as estrelas celestes (Hino a Nisaba).
Trad. Gleiton Lentz. (n.t.), n. 20, v. 1, jun. 2020, pp. 328-230.


© (n.t.) Revista Nota do Tradutor
ISSN 2177-5141