PRÉVIA (n.t.) 4º

Mas é música | Ale je hudba
Vladimír Holan

O texto: Os poemas selecionados apresentam uma das muitas faces da obra multiforme de Vladimír Holan: a poesia diária à qual se dedicou, sobretudo, nos anos 1940 -50. Trata-se de pequenos escritos que revelam percepções cotidianas no quadro transcendental da condição humana, da história e do divino. Encontramos aqui os motivos constantemente explorados pelo poeta através de figuras retóricas que são o maior instrumento do seu pensamento assombrado pela claridade da dor: falta do amor nas relações humanas, impossibilidade de conhecer o outro, percepção de si próprio como de um sósia, impossibilidade de aproximar-se de Deus, a certeza da morte.
Textos consultados: Holan, Vladimír. “Na postupu”, “Stále totéž”, “Život II”, “Lidský hlas”, “Kdo jsi?”, “Nemusí, ale”, “Kdekoliv II’. Ale je hudba – Sebrané spisy Vladimíra Holana. Praha: Odeon, 1968. “Mors ascendit per fenetras”. Lamento – Sebrané spisy Vladimíra Holana. Praha: Odeon, 1970, 248.

O autor: Poeta tcheco, grande solitário na vida e na literatura, 1905–1980. Após a curta participação na vanguarda checa, o poetismo, e a colaboração em revistas literárias, abandonou a vida social e fechou-se por trinta anos em sua casa em Kampa, uma ilha no centro da Praga. E apesar da condição financeira, dedicou-se plenamente à criação literária, desafiando o regime hostil do Comunismo. Seus companheiros literários eram os artistas e personagens fictícios de todos os tempos: Mozart, Hamlet, Ofélia, Orfeu… e a sua atualidade era toda a história. Sua obra é vasta e diversificada: dedicou-se tanto à lírica íntima da herança do pós-simbolismo, como na poesia que reflete os grandes momentos históricos da nação tcheca (2ª guerra mundial, protetorato alemão, liberação pelos soviéticos), ou ainda na poesia narrativa meditando sobre o destino humano. Elaborou uma linguagem poética inédita e multiforme: explorou tanto poesia regular como verso livre, investigando os limites da expressão com neologismos léxicos e sintáticos, arcaísmos, palavras coloquiais, vulgarismos etc. É um dos mais apreciados poetas tchecos fora do seu país.

A tradutora: Lucie Koryntová (1984, Praga) se dedica à investigação literária e à tradução do francês e do português. Cursa doutorado na Universidade de Carlos, em Praga, com o tema “Mimesis da linguagem poética de Vladimír Holan”, e trabalha como redatora da revista Plav – mensário para a literatura mundial e a tradução (www.svetovka.cz).



☞ HOLAN, Vladimír. Mas é música | Ale je hudba.
Trad. Lucie Koryntová. (n.t.), n. 4, v. 1, mar. 2012, pp. 26-42.


© (n.t.) Revista Literária em Tradução
ISSN 2177-5141