PRÉVIA (n.t.) 16º

Diário da Prisão | 獄中日記 | Nhật ký trong tù
Hồ Chí Minh

O texto: Os diários de prisão de Hồ Chí Minh traduzem não só a filosofia de seu comportamento, mas também do povo vietnamita, que ele simboliza. Datam do período em que esteve nas prisões do Kuomintang, quando, em 1942, foi detido por articular a resistência contra os invasores japoneses do Vietnã. Como preso político, passou por várias prisões e torturas, sendo ora dependurado pelas pernas ao teto de um junco ou amarrado como frango no espeto, o pau-de-arara chinês. Seus relatos retratam os momentos de cárcere de sua vida, dando forma a uma poesia de testemunho e protesto, carregada de humanismo. Escreveu os poemas em chinês clássico e não em Quốc Ngữ, o idioma vietnamita, para evitar que sua nacionalidade fosse descoberta, identificando-se como um jornalista chinês que vivia na Indochina. Seus diários constituem um depoimento autobiográfico que mostra o valor da independência e da dignidade, cujos versos conduziram o povo do Vietnã ao caminho da liberdade.
Fontes consultadas: Minh, Hồ Chí. Poemas do Cárcere. Trad. de Coema Simões e Moniz Bandeira. Rio de Janeiro: Gráfica Editora Laemmert S.A, 1968; Nhật Ký Trong Tù / 獄中日記. Hanoi: Nhà Xuất Bản Văn Học, 2017.

O autor: Hồ Chí Minh (1890-1969) foi um revolucionário comunista e estadista vietnamita, nascido com o nome de Nguyễn Sinh Cung. Viveu em uma época quando o Vietnã ainda fazia parte da Indochina Francesa. Em 1930, ajudou a organizar o Partido Comunista do Vietnã para lutar pela independência de seu país. Por volta de 1940, começou a utilizar o pseudônimo de Ho Chi Minh, que significa “aquele que ilumina”, para evitar perseguições. Lutou durante a 2ª Guerra, sendo mantido prisioneiro, época em que escreve seus poemas do cárcere. Declarou a independência do Vietnã em setembro de 1945, tornando-se presidente do Vietnã do Norte. Venceu a 1ª Guerra da Indochina em 1954, derrotando o exército francês que havia ocupado o Sul, e apoiou a rebelião comunista em 1959, que deu início à Guerra do Vietnã, durante a qual veio a falecer, em 1969.

Os tradutores: Coema Simões e Moniz Bandeira traduziram os Poemas do Cárcere (título da edição brasileira publicada em 1968 pela extinta editora carioca Laemmert) a partir da versão francesa Carnet de prison, traduzida por Phan Nhuam, em 1963. Já a tradução dos originais em chinês para o vietnamita foi feita por Nam Trân.



☞ MINH, Hồ Chí. Diário da Prisão | 獄中日記 | Nhật ký trong tù.
Trads. Coema Simões e Moniz Bandeira (port.); Nam Trân (viet.).
(n.t.), n. 16, v. 1, jun. 2018, pp. 206-299.


© (n.t.) Revista Literária em Tradução
ISSN 2177-5141