PRÉVIA (n.t.) 10º

Os pobres tradutores bons | Los pobres traductores buenos
Gabriel García Márquez

O texto: A relação de García Márquez com seus tradutores sempre foi amistosa, embora de escasso contato pessoal ou epistolar. O escritor dizia que, ao início, quando havia começado a ser traduzido a outros idiomas, acompanhava as traduções que apareciam, revisava aquelas cujos idiomas conhecia (entre os quais o francês, o italiano e o inglês), respondia às dúvidas dos tradutores e, incluso, apontava sugestões. Já com os idiomas que desconhecia, cabia-lhe tão somente confiar nos tradutores e esperar que seus livros chegassem nas mãos dos mais distintos leitores, e que a tradução, seja ela ao chinês, ao vietnamita ou ao bengali, fosse a mais fiel possível, ou então, que não fossem muito as perdas de uma língua à outra. Seu respeito e admiração pela tradução ficou impresso no artigo intitulado “Los pobres traductores buenos”, publicado em 21 de julho de 1982, no jornal madrilenho El País. Nele, tece comentários sobre a prática próprios de um dos autores mais traduzidos no mundo, comentando o ofício dos tradutores e sua abnegação, de que a tradução “é a maneira mais profunda de ler um texto”, além de enaltecer os grandes tradutores de todos os tempos e idiomas, cujos aportes pessoais a cada obra vertida raramente são relevados, enquanto a tendência é engrandecer suas falhas e desacertos. Ao final do artigo, satiriza, de modo magistral, uma tradução sua ao português do Brasil.
Texto traduzido: García Márquez, Gabriel. “Los pobres traductores buenos”. In. El País, 21 de julio de 1982, e também em Notas de prensa (1980-1984). Bogotá: Norma, 1988.

O autor: Escritor, jornalista, editor, ativista e político colombiano, Gabriel García Márquez nasceu em Aracataca (Colômbia), em março de 1927, e faleceu recentemente, na Cidade do México, em abril de 2014. É considerado um dos autores mais importantes do século XX e um dos mais admirados e traduzidos no mundo, tendo sido vertido para 36 idiomas. Foi laureado com o Prêmio Nobel de Literatura de 1982 pelo conjunto da obra. É considerado o pai do realismo mágico na literatura latino-americana.

Os tradutores: Miguel Sulis e Gleiton Lentz são editores da revista (n.t.).



☞ GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Os pobres tradutores bons | Los pobres traductores buenos.
Trad. Miguel Sulis e Gleiton Lentz. (n.t.), n. 10, v. 1, jun. 2015, pp. 453-461.


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ISSN 2177-5141